Dossiê (Bio)grafando Mulheres – Revista Espaço Acadêmico

CHAMADA

Em março deste ano, a Associação Nacional de Pós-Graduação de Ciências Sociais- ANPOCS, em parceira com o LABGEN da UFF, realizou um Seminário intitulado: Mulheres na Teoria Social, recuperando a história de várias mulheres de diferentes continentes e sua importância para o pensamento social, contudo, ausentes dos espaços instituicionais. 

Na história escrita da humanidade, as mulheres raramente aparecem, não porque não participaram dela, mas porque a história da humanidade foi uma história contada pelos homens, tornando assim as mulheres quase “invisíveis” ou não relevantes. Apenas em meados do século XX, com o avanço de uma história social e dos movimentos feministas, foi feita uma tentativa para reconhecer o papel da mulher no desenvolvimento político, científico, social e econômico que tinha se tornado invisível na história.

O objetivo desse Dossiê é a partir das noções de biografia (escrita de uma vida) e trajetória (o que atravessa uma vida), recuperar as singularidades de histórias de mulheres no campo das ciências e das artes. Esse reconhecimento das mulheres na análise histórica significa  não apenas dar às mulheres um lugar nos vários eventos do passado, mas também reinterpretar  esses eventos à luz de seus impactos diferenciais.

Apesar dos obstáculos, são muitas as mulheres que conseguiram por sua determinação, imaginação, força e a sua voz fazer o seu caminho na sociedade do seu tempo e abrir oportunidades a outras mulheres em espaços acadêmicos, artísticos, políticos e sociais. Infelizmente, não foram tantas as reconhecidas, nem se valorizou as suas enormes contribuições. A escritora Virgínia Woolf na sua obra “Mulheres e ficção” (1929), relata o quanto o campo da literatura foi renegado às mulheres devido às normas e cultura de uma época. Fazer literatura, ciência ou arte era papel dos homens e por muito tempo permaneceu dessa forma, assim, as narrativas carregaram, em seus enredos, primordialmente os lugares que eles ocuparam.

No entanto, muitas mulheres foram pioneiras em afrontar o sistema patriarcal vigente, em enfrentar esses obstáculos, sendo protagonistas em todos os movimentos artísticos, desde a Renascença até hoje. Artistas como Sofonisba Anguissola, retratista italiana, considerada a primeira mulher artista do Renascimento e cujas obras foram atribuídas a pintores da corte do rei. Hilma af Klint, artista sueca que criou o movimento abstrato, Frida Kahlo, uma surrealista mexicana, artista que se tornou um ícone do feminismo e da comunidade LGBTI e muitos outros, que ganharam reconhecimento por seus trabalhos após sua morte. No Brasil, artistas como Tarsila do Amaral, uma pintora modernista considerada a mais famosa artista brasileira do século 20, que ajudou a definir um estilo de identidade nacional pós-colonial para o seu país. No campo da literatura, Virgínia Woolf aponta as renomadas escritoras inglesas Emily Bronte e Jane Austen como algumas das poucas mulheres que conseguiram fazer literatura no seu tempo, entretanto, nenhuma delas publicaram seus romances com seus próprios nomes. O primeiro romance publicado por Jane Austen, “Orgulho e preconceito”, continha apenas a inscrição: “Um romance. Em três partes. Escrito por uma dama.”, os outros livros eram creditados à “mesma autora” dos outros livros. Emilly Bronte, a autora da obra “O morro dos ventos uivantes”, publicava suas obras com o pseudônimo de Ellis Bell. O romance “Middlemarch: um estudo da vida na província”, considerado um dos melhores em literatura inglesa, foi escrito por George Elliot, pseudônimo da escritora Mary Ann Evans.

Na ciência, as mulheres conseguiram menos destaque ainda e seguem ofuscadas desde então. A cientista Katherine Johnson, responsável pelos importantes cálculos matemáticos que  levaram o homem à lua, alcançou reconhecimento tempos depois dos seus feitos com a estreia do filme “Estrelas além do tempo” (2016); de forma semelhante, a cientista Marie Curie, ganhadora de dois Prêmios Nobel, viveu grande parte de sua vida na sombra do marido, conquistando reconhecimento posteriormente. No Brasil, Virgínia Bicudo, responsável por trazer e popularizar a Psicanálise no Brasil, na Colômbia, Margarita Marino de Botero, a primeira defensora ambiental da Colômbia que participou ativamente das discussões ecológicas mais importantes do mundo e outras grandes cientistas e acadêmicas seguem renegadas ao esquecimento.

Dessa forma, propomos para esse dossiê o acolhimento de artigos que contemplem as biografias das mulheres que marcaram a história em diversas áreas do conhecimento e dos saberes, além de reflexões que permitam compensar o esquecimento na história já contada e reinscrever por meio de memórias e narrativas um outro posicionamento para os fatos e eventos   históricos.

Organizadoras:

Profa. Dra. Cristina Maria da Silva – Professora Associada do Departamento de Ciências Sociais UFCE e do Programa de Pós-Graduação em Letras -UFCE.

Junia Paula Saraiva Silva – Doutoranda em Literaturas de Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

Data limite para submissão: 04 de março de 2022.
Publicação: EDIÇÃO ESPECIAL, junho de 2022.

Para saber mais acesse: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/index

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