31º Simpósio Nacional de História

A Associação Nacional de História completa 60 anos.
Há o que comemorar?

Nascida na cidade de Marília, em 19 de outubro de 1961, outrora conhecida como Associação Nacional dos Professores Universitários de História, tornou-se aos poucos a mais prestigiada entidade de nossa área, contando hoje com 6.800 associados e associadas de vários quinhões do país. De seu núcleo original, a ANPUH foi fazendo jus ao seu caráter nacional, num espalhamento marcante de sua própria história e dos desafios assumidos pelas suas direções. A ANPUH conta hoje com representações na maioria das unidades da federação, desde a mais antiga, precisamente em São Paulo, como a caçula da associação, a de Goiás, cuja seção regional foi recriada neste ano, graças ao empenho de nossos colegas e da secretaria da associação.

De uma entidade restrita aos docentes universitários, a ANPUH foi assumindo o protagonismo que lhe era devido, o que culminou, por exemplo, na regulamentação da profissão – conquista histórica -, celebrada por todos e todas no dia 12 de agosto de 2020. Naquele dia, mais um dia recheado de notícias devastadoras protagonizadas por um governo às avessas, solenizou-se uma conquista, acalentada há décadas por historiadores e historiadoras do Brasil.  Dois dias antes, o veto à regulamentação foi derrubado, graças ao engajamento de dezenas de colegas, instigados a produzirem uma sinergia que culminou na formação de uma equipe de articuladores políticos, sob o comando de Lara Vanessa de Castro Ferreira (UNIFAP), Adalberto Júnior Ferreira Paz (UNIFAP), Tito Barros Leal de Pontes Medeiros (UVA), Wagner Geminiano dos Santos (SEDUC/PE), Benito Bisso Schmidt (UFRGS), Fábio Faversani (UFOP) e Valdei Lopes de Araújo (UFOP). Colegas de diversos estados realizaram um trabalho minucioso de diálogo com senadores e deputados de distintas matizes partidárias, a partir da Campanha #derrubaovetopl368, impulsionada pela ANPUH.

A história é uma profissão regulamentada. Agora e a pleno pulmões, as historiadoras e os historiadores certificam: todos e todas têm direito à História e os profissionais da área têm a obrigação ética de preservar, questionar, deslindar e esquadrinhar os fatos que se firmam como históricos, em especial num contexto de produção de “fake news” e de propagação do negacionismo. Com altivez, a velha senhora se revigora num entrecruzamento delicado e incontornável entre pesquisa e ensino.

Há algo a rememorar ou se está apenas diante de mais uma efeméride, tão ao gosto do senso comum?  Sim, há o que celebrar. Nos últimos 60 anos, A ANPUH sobreviveu a contextos políticos marcantemente difíceis. Quem já esqueceu de luta contra o Escola Sem Partido e a defesa, por todas as regionais, da universidade pública, laica e gratuita? Atentando-se ainda mais, como imaginar os obstáculos enfrentados pela associação durante a ditadura militar?  Sim, a ANPUH tem muito a celebrar, apesar de nossos reveses. Logo, sejam bem vindos ao 31º Simpósio Nacional de História, que ocorrerá na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 19 a 23 de julho de 2021!

“Estamos em combate, sempre estivemos”. E em nome da história da ANPUH e da Nação, afiança-se novamente: o conhecimento nos liberta, o sofrimento nos mobiliza e a empatia nos protege. Que se festeje o direito à História de todos e todas, aqui, acolá e mais além.

Márcia Maria Menendes Motta
Presidenta da ANPUH
(Biênio 2019-2021)

https://www.snh2021.anpuh.org/site/capa

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