DOSSIÊ REVISTA VEREDAS DA HISTÓRIA (2020.1): ÁFRICAS: INSTIGANDO O PENSAR COMPLEXO

A Revista Veredas da História (B4 no Qualis, ISSN-L: 1982-4238) encontra-se vinculada ao Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e tem como objetivo publicar artigos, resenhas, textos e documentos, frutos de pesquisas desenvolvidas por alunos e professores. A idéia da publicação é que os trabalhos possam dialogar com as mais diversas ciências, fomentando, através da sua interdisciplinaridade, a criação de um espaço para discussão e debate acadêmico promissor, originando assim pensamentos transformadores e criativos. Nossa periodicidade é semestral, com recebimento em fluxo contínuo. Convidamos a todos a acessar e contribuir para o crescimento da revista.

africa

A proposta deste dossiê é apresentar pesquisas atinentes aos Estudos Africanos, em especial as relacionadas à História da África e ao ensino dessa, iluminadas pelas novas discussões teóricas que permeiam essa área na atualidade. As publicações devem enfatizar às reinvenções que os africanos fazem de si, ao longo dos tempos, na vida social, cultural, política e econômica, verificando como as relações entre essas dimensões vivenciadas no continente africano emergem nas comunicações, distinguindo das narrativas homogeneizantes.

Em relação à África, somos espectadores de antirracismos racialistas, construtores de uma essência racial inexistente, paradoxalmente, fruto de forjamentos de opressores e oprimidos, assim como testemunhamos as persistências dos nanorracismos quotidianos, assim como de questões de pertença insolucionáveis. Tencionamos desagregar a África metafísica, confrontando-a com a empírica: o real está aí como limite possível ao conceito.  Ainda, nos propomos apresentar a África onde as identidades se superpõem e convivem, articulando-se num inusitado arlequim, mas também se conflitam, acobertando desigualdades de acesso às oportunidades. Sabemos que iremos nos deparar com a complexidade de compreender as estratificações do social, inclusive as especificidades das generificações no continente africano. O dossiê será sensível à pluralidade e à proteiformidade do continente, às interseções e às antinomias entre o endógeno e o Outro, aos seus entre-lugares, aos seus hibridismos, ao seu afropolitanismo, com populações originárias de outros continentes que têm direito à sua africanidade. Incomoda-nos a colonialidade edulcorada por uma pseudo emancipação. Presenciaremos as utopias soterradas por estruturas estatais patrimonializadas, onde o público é privatizado por elites predadoras ditas nacionais, em uma criminalização dos Estados que rouba a qualidade de vida dos africanos comuns. Interroga-nos como tornamos o africano parte de nossas alucinações, como o Ocidente institui nelas o que de si deseja expulsar, como elas desvelam a necropolítica, da qual os ocidentais são agentes e, às vezes, os locais são cúmplices.

Enfim, este dossiê estará acessível a esses e a outros questionamentos, inclusive daquilo que nesse texto se explicita, pois defende as qualidades do confronto e do antinômico nesses tempos em que primam os pensamentos não abertos à contradição, portanto, autoritários, tanto em África quanto no mundo.

Organização:

Prof. Dr. Silvio de Almeida Carvalho Filho (UERJ/UFRJ),

Priscila Henriques Lima (Doutoranda PPGH/UERJ) e

Aline Martello (Mestre Programa Europeu Patrimônio e Território, EHESS – Paris e ELTE – Hungria)

Data limite para envio: 25 de setembro de 2020

Acesse aqui maiores informações para submissões!

 

CISGES – 27 de junho de 2020

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