Dossiê Temático – Chamada

ESTUDOS DE GÊNEROS E SEXUALIDADES: ESTIGMAS, MARGINALIDADE E PRECONCEITOS

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Capa: Standing Male Nude With a Red Loincloth (EGON SCHIELE – 1914).

Atualmente, os debates em torno das questões de gêneros e sexualidades se fazem extremamente atuais e persistentes. Porém, apesar da popularidade da temática e toda informação disponível, é notória a permanência do preconceito e tabus que acabam por refletir na marginalidade de pessoas que não seguem o padrão dito ‘normal’ em nossa sociedade. Seguem-se, neste sentido, as lésbicas, gays, transexuais, bissexuais, transgêneros etc.

A palavra estigma refere-se às feridas e marcas que deixam cicatrizes. Na Grécia Antiga, a palavra foi designada às marcas feitas em escravos, prisioneiros e outras pessoas que não se enquadravam no padrão social, pessoas que deveriam, portanto, ser separadas.  As marcas serviam para distinguir os ‘anormais’ e excluídos da sociedade, que, marcados com ferro quente, ficavam com cicatrizes por toda sua vida e, com isto, reconhecidos por seus atos ‘não honrosos’. Sendo assim, o conceito aplica-se na temática proposta por este dossiê visando que o preconceito contra os indivíduos, seja por suas orientações sexuais ou identidades de gênero, deixaram marcas e refletem na exclusão e marginalidade dos mesmos.

Vale ressaltar que além do preconceito contra sexualidades, a violência por questões de gêneros se faz presente, persiste e cresce a cada dia mais, e faz como vítima, em sua maioria, mulheres negras e periféricas.

É preciso compreender que gênero, como outros aspectos sociais, é uma disposição construída culturalmente; então, para poder problematizar essa analise, é necessário levar em conta como pautas de gênero foram concebidas e de qual (pré) conceito advém esses conflitos.  Sabemos que, o lugar de onde você olha para a sociedade pode impedir que compreenda questões e urgências que outros grupos colocariam como necessárias.

A violência de gênero pode se apresentar sob diversas formas: sexual, psicológica, moral, patrimonial, física ou simbólica – sendo a última, a mais difícil de ser reconhecida e compreendida – está presente no nosso dia-a-dia, em nossos discursos e cultura, normalmente, sendo consequência do machismo e da misoginia, que reforça estereótipos negativos, objetificando corpos e os inferiorizando. Os estigmas, a marginalidade e os preconceitos que essas pessoas enfrentam diariamente, muitas vezes, acabam levando a óbito precoce. De acordo com Julio Pereira Cardia, ex-coordenador da Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos, os números de homicídios somam 552 por ano, ou uma pessoa a cada 16 horas no Brasil, segundo dados divulgados a pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e que estavam em posse da AGU (Advocacia-Geral da União).

É importante salientar que gênero e sexualidade são questões muito diferentes e o diálogo sobre estes temas se faz importante para se desmitificar e romper com falas e pensamentos preconceituosos, além de colaborar com a inclusão dessas identidades na sociedade, possibilitando uma melhor qualidade de vida.

Partindo das questões que integram este tema, a Revistas Pluralistas promoverá, em sua 4ª edição, o dossiê temático Estudos de Gêneros e Sexualidades: estigmas, marginalidade e preconceitos, que buscará colaborar com os debates em torno das questões que abrangem as identidades de gênero e sexualidades, pensando nos preconceitos e estigmas sociais e médicos, que são consequências de uma sociedade ainda muito conservadora e tradicionalista. Celebrando os 50 anos da revolta de Stonewall, que cravou o pontapé inicial da luta pelos direitos LGBTQIA+, os anos de debates e lutas que culminaram na recente criminalização da homofobia pelo STF e que, dessa forma, demonstram que a nossa sociedade está mudando.

Este dossiê é pertinente para pesquisadores da História, Sociologia, Geografia, Psicologia, Assistência Social, Pedagogia, entre outras áreas das Ciências Humanas, que abordam em suas pesquisas as diversas questões em torno dos estudos de gêneros e sexualidades, bem como os desafios que os indivíduos inseridos neste contexto enfrentam diariamente.

Sendo assim, convidamos a todos e todas que se interessarem, para submeter seus artigos, resumos expandidos e resenhas de obras acadêmicas que abordam esta importante temática. Vale enfatizar que a Pluralistas aceita também, resumos expandidos e resenhas que não abordam a temática proposta pelo dossiê. Para saber mais sobre como submeter seu texto, acesse https://cisges.com/revista-pluralistas/submissao/.

Os textos deverão ser submetidos para o e-mail: pluralistas.cisges@gmail.com até dia 10/02/2020.

 

Thayná Alves, Editora Chefe
Alexander Willian Eugênio de Souza, Editor Científico
Paula de Carvalho Viana, Editora Científica

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