Eventos | II Colóquio Internacional Movimentos: Trânsitos & Memórias

O Programa de Pós-graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira, em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Faculdad de Humanidades y Ciencias de la Educación da Universidad Nacional de La Plata e com o Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora convoca todos os interessados a participar do II Colóquio Internacional Movimentos: Trânsitos e Memórias. O evento será realizado no Campus de Niterói da Universidade Salgado de Oliveira, entre os dias 09 e 11 de abril de 2019.

 

SOBRE O COLÓQUIO

O conceito de movimentos, dada a sua amplitude, abre múltiplas possibilidades a serem exploradas. Tal conceito pode ser pensado a partir de mobilizações isoladas e/ou coletivas em torno de causas, ideais, projetos/ações, identidades e reivindicações, que articulam ideias, recursos e agentes que se organizam, se unem durante certo tempo e em dado contexto histórico. Assim, os relacionamentos que se engendram no e para o movimento necessitam ser feitos e refeitos certo número de vezes, fazendo com que cada indivíduo dentro da trama social assuma necessariamente diversos papéis concomitantes ao longo de sua existência. Por outro lado, pode-se pensar o conceito de movimento ligando-o à ideia de deslocamento de pessoas, de produtos, de culturas (em seu sentido amplo) e de saberes por diferentes territórios. O conceito de movimento, neste caso, está ligado também ao de território e de deslocamento espacial.  Outra possibilidade para o entendimento do conceito de movimento é a relação que pode ser estabelecida com a demografia histórica e o método quantitativo, a fim de se estabelecer padrões comportamentais e identificar fenômenos coletivos em diferentes temporalidades históricas.

Desta maneira, o II Colóquio Internacional Movimentos: Trânsitos e Memórias vem reforçar os debates concebidos no evento anterior, percebendo os mais variados temas a partir da ótica do movimento, ou seja, a partir das transformações e das confrontações que seus agentes sofrem ou estabelecem em suas ações.

Convidamos a todos a participar das discussões e a assistir as mesas com professores e especialistas.

O Colóquio foi organizado de modo a comportar apresentações de trabalhos de pesquisa em sessões coordenadas, pôsteres de trabalhos de iniciação científica e mesas com a participação de professores convidados.

SESSÕES COORDENADAS

01 – Ditaduras, memórias e exílios

 

Prof. Dr.ª Carla Peñaloza (Universidad de Chile)

Prof. Dr.ª Silvia Dutrenit (Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora)

Desde meados do século XX,  algumas regiões, como é o caso do Cone Sul, viram-se submersas em regimes autoritários que fizeram da repressão um dos instrumentos para silenciar e  aniquilar a oposição política. Apesar de possuírem  diferenças,  as  ditaduras, de maneira geral, implantaram  formas de governo com o intuito de censurar, perseguir, encarcerar, exiliar e matar ao considerado “inimigo”, “subversivo” e “terrorista” que ameaçava a  ordem social. Esta sessão pretende reunir propostas interessadas em problematizar os vínculos entre ditadura e repressão, especialmente em relação aos exílios, entendido como consequência direta ou indireta do exercício de formas estatais de violência. Objetiva-se refletir e  discutir os modos de operar, os impactos que tiveram  as experiências das pessoas expulsas e as memorias coletivas dessas sociedades. 

02 – Intelectuais e ideias em trânsito

Prof. Dr.ª Ana Paula Barcelos (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Prof. Dr.ª Karoline Carula (Universidade Salgado de Oliveira / Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Prof. Dr.ª Maria Letícia Corrêa (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Para refletirmos acerca dos intelectuais, é fundamental pensá-los inseridos em instituições de poder ou de Estado, ou seja, nos variados espaços da sociedade civil e da sociedade política. Os intelectuais transitam no campo do poder, engajando-se, dentre outros, em discussões sobre os rumos das nações, em seus múltiplos aspectos, social, político, econômico e cultural. Assim, seu locus de atuação situa-se na esfera pública. O objetivo desta sessão é abrigar estudos que estejam centrados na história intelectual e dos intelectuais. Pretende-se agregar trabalhos que foquem sua análise no movimento de ideias e nas relações entre intelectuais, cultura, sociedade, ciência e nação, com vias a ampliar os debates neste campo de pesquisa e contribuir para o estudo do papel dos intelectuais na sociedade civil e política.

03 – Tráfico e escravidão

Prof. Dr. Jonis Freire (Universidade Federal Fluminense)

Prof. Dr. Jorge Prata Sousa (Universidade Salgado de Oliveira)

 A permanente demanda por braços escravos fez com que o deslocamento populacional pelo Atlântico fosse praticamente ininterrupto, pelo menos desde o século XVI até o século XIX. Salvaguardadas as flutuações de intensidade, a sangria de gentes que escoava da África rumo à Europa e Américas teve profundas consequências em todos os lados de onde saíram e para onde foram os cerca de 10 milhões de escravizados dos quais se trata nesta sessão coordenada, cujo objeto das reflexões abarca desde as estratégias de captura, comércio, transporte, e distribuição destas pessoas até o impacto econômico, cultural e demográfico destes movimentos em seus contatos com as populações americanas.

04 – Cristianismo e fronteiras: contatos e enfrentamentos

Prof. Dr. Marcelo Timotheo (Universidade Salgado de Oliveira)

Até etimologicamente, as religiões – de “religare”, religar – enfatizam a ideia de movimento. Movimento entre esferas celeste e terrestre, entre o eterno e o século, o transcendente e o imanente. Assim, p. ex., na evolução bimilenar da experiência cristã, instituições e fiéis, baseados em leitura de fé que tomava a vida como peregrinação ao Alto, concebiam a si mesmos como peregrinos especiais, peregrinos no tempo e para fora dele, sempre a caminho, em elevação, rumo à Jerusalém Celeste. Por outro lado, das religiões cristãs e de suas plurais vivências, surgiu também a estabilidade:  o cristianismo, em suas grandes vertentes – católica romana, ortodoxa, reformada –, ajudou a definir o permanente, marcando fronteiras, construindo e consolidando geografias políticas e populacionais. Definições que, bem marcadas, funcionaram como âncoras societárias, comunais, firmando vínculos e identidades.  Englobando o que se move e o que permanece e a tensão daí advinda, encontro que é também movimento, propõe-se pensar o fenômeno cristão na História, suas práticas, comunidades de fé, seus intelectuais, tradições várias e também correntes de mudança.  Assim, acredita-se poder contribuir para a melhor definição de determinadas fronteiras do sagrado. Fronteiras na sua dupla acepção: áreas de máximo contato, áreas de enfrentamento.

05 – E/Imigração

Prof. Dr.ª Érica Sarmiento  (Universidade Salgado de Oliveira / Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Prof. Dr.ª Lená Medeiros de Menezes (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Prof. Dr. Ruy Faria (Universidad Nacional de San Martín, Buenos Aires – Argentina)

Os fenômenos migratórios têm merecido lugar de destaque nos ambientes acadêmicos com diferentes mudanças de enfoque nos modelos de análise, na metodologia e nas fontes utilizadas. Objetiva-se, a partir dessa sessão, reunir comunicações que apresentem uma abordagem a partir dos enfoques metodológicos e das perspectivas de análise tais como: os fenômenos de mobilidade econômica internacional da mão de obra ou do exílio político; mulher e gênero; os fluxos migratórios no processo de construção das sociedades emissoras e receptoras; discursos, imaginários e representações  do “outro” e-imigrante; processos de inserção nos espaços urbanos e criação de estratégias étnicas como as redes sociais, o associativismo formal e as iniciativas assistenciais; a emigração de retorno, os contatos entre origem e destino (massa média, redes e novas tecnologias) e, por último, a transnacionalidade e a interculturalidade.

06 – Cidades e seus movimentos

Prof. Dr. André Nunes de Azevedo  (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Prof. Dr.ª Letícia Calderón (Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora)

Ao longo dos tempos, as cidades têm sido o lugar por excelência de relações entre pessoas, que se congregam em seu espaço para múltiplas finalidades. Essa sessão tem o objetivo de reunir comunicações que tenham como temática a cidade. Serão aceitas abordagens que contemplem desde uma perspectiva mais teórica, com análises referentes ao pensamento e às formas de conceber a cidade, bem como trabalhos cujo enfoque esteja relacionado aos múltiplos movimentos que perpassam o viver em uma urbe, em seus âmbitos, econômico, político e cultural.

07 – Governos e práticas políticas

Prof. Dr. Jayme Lúcio Ribeiro (Instituto Federal do Rio de Janeiro/ Faculdades Integradas Campograndenses – FEUC)

Prof. Dr.ª Vivian Zampa  (Universidade Salgado de Oliveira / Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

As sociedades, em suas diferentes formas de organização política, contaram, ao longo da história, com diversas concepções de governo. Num sentido mais ampliado, tal termo pode ser entendido como o conjunto de pessoas que exercem o poder político, como também o complexo de órgãos que detém o exercício do poder. Essa sessão coordenada tem por objetivo reunir comunicações, cuja temática esteja relacionada aos múltiplos enfoques que envolvem o exercício do poder na era moderna e contemporânea.  Isso nos remete a congregar trabalhos que perpassem por uma discussão sobre governos e sua atuação nas sociedades.

08 – Movimentos sociais e seus desdobramentos

Prof. Dr.ª Angela Roberti (Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Prof. Dr.ª Marly Vianna (Universidade Salgado de Oliveira)

Agentes políticos por excelência – e por isso mesmo objeto tradicional da reflexão historiográfica – os movimentos sociais englobam todas as intervenções coletivas destinadas a transformar as condições de existência de seus atores de exercer sua cidadania, de contestar as hierarquias ou as relações sociais gerando identidades coletivas e sentimentos de pertencimento baseados em valores comuns. Partindo dessas definições, propõe-se analisar os movimentos sociais, dando ênfase tanto àqueles mais estruturados e organizados (movimento operário, movimento estudantil, movimento camponês) quanto às irrupções de protesto de origem mais difusa; movimentos, todos eles, que abrangem situações políticas, econômicas, sociais e de mentalidades.

09 – História militar e fronteiras

Prof. Dr. Fernando Rodrigues (Universidade Salgado de Oliveira)

Prof. Dr. Tony Payan (Rice University) 

Essa sessão tem por objetivo congregar, em um mesmo debate, acadêmicos, militares, docentes e demais profissionais interessados na pesquisa de temas convergentes entre a história militar e os estudos de fronteiras. Geralmente, a cultura da memória vem desempenhando um papel essencial para a continuidade do debate sobre a construção e desenvolvimento de uma sociedade. O debate ocorrerá na reflexão de assuntos relacionados, desde a questão metodológica de utilização das fontes dos arquivos militares, até o entendimento, de como os organismos militares atuaram na conquista e defesa dos territórios. Instituições militares que contribuíram para a construção da história. É importante compreender as diferentes posturas e atuações que os militares empreenderam nesses territórios, identificando a articulação estabelecida, entre Estado e sociedade. Buscar-se-á, portanto, debater os estudos sobre a história militar e sua interface com a construção das fronteiras.

10 – A família brasileira e suas interfaces, séculos XVIII a XX: arranjos e rearranjos

Prof. Dr.ª Margarida Durães (Universidade do Minho, Portugal)

Prof. Dr.ª Vitória Schettini de Andrade (Universidade Salgado de Oliveira)

O estudo sobre a formação da família brasileira vem nos últimos anos ganhando fôlego junto a academia e são hoje temas recorrentes nas Ciências Sociais. Análises sobre compadrio, ilegitimidade, mestiçagem, concubinato e casamento são discutidos de forma madura e possuem um cabedal explicativo amplo para diversas regiões do Brasil. Junto a esses temas uma série de outros fatores são associados, sempre colocando a existência da família de maneira mais crítica, nutrida por uma série de interesses e muitas vezes de complexo entendimento. Assim, serão bem vindos neste Simpósio Temático trabalhos de temas variados que versam sobre o entendimento da família brasileira e os fatores que estão ligadas a ela, seja voltado para a categoria de livres, escravos, libertos e índios.

11 – O mundo iberoamericano: movimentos de independências e projetos de nação

Prof. Dr. Flávio Gomes Cabral (Universidade Católica de Pernambuco)

Prof. Dr.ª Marisa Saenz Leme (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho)

O processo de independências das sociedades ibero-americanas foi marcado por múltiplas e variadas facetas, as quais de certo modo refletem as especificidades das diferentes regiões que então se constituíam enquanto identidades políticas, distintas das suas antigas metrópoles. Essa sessão pretende reunir estudos, cujas análises contemplem discussões que enfoquem as principais ideias, representações, projetos e propostas cogitadas pelos diversos atores sociais no contexto dos movimentos de independência. De igual maneira, serão bem-vindos, a essa sessão, trabalhos que perpassem pela temática da cultura e vocabulário político, da construção das identidades e emergência das nacionalidades, bem como os fundamentos intelectuais e políticos que envolveram a construção desses novos países ao longo do século XIX.

 

12- Serviços ao rei e corrupção nos Impérios ibéricos – séculos XVII ao XIX

Prof. Dr.ª Guillermina del Valle Pavón (Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora)

Prof. Dr.ª Marieta Pinheiro de Carvalho (Universidade Salgado de Oliveira)

A sessão tem como propósito refletir acerca de alguns temas relacionados aos impérios ibéricos: as ações piedosas dos laicos, que buscavam favorecer a posição econômica e social de suas famílias; os serviços financeiros que os súditos prestavam a monarquia; e a corrupção. No Antigo Regime as relações estavam baseadas em um sistema de pactos e compromissos, que se verificavam por meio do “dar e receber”. Esse movimento de dons e contra-dons pode ser verificado quando a coroa enfrentava problemas financeiros, em especial durante os períodos de guerras, nos quais as corporações e os súditos outorgavam serviços financeiros ao soberano em troca de diversos privilégios ou mercês. Sem embargo, os privilégios e as concessões outorgadas favoreciam a corrupção.

13 – Sociedade e economia no mundo Atlântico entre os séculos XVI ao XIX

Prof. Dr. Antônio Carlos Jucá Sampaio (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Prof. Dr.ª Simone Cristina de Faria (Universidade do Estado de Minas Gerais)

A proposta da presente sessão coordenada é estimular o debate historiográfico acerca das especificidades e diferenças que marcaram as diversas áreas ultramarinas que compunham o vasto Império português. Pretende assim compreender o ultramar lusitano na encruzilhada dos distintos processos históricos da Europa, da África, da Ásia e do Novo Mundo, ultrapassando uma visão eurocêntrica e percebendo a dinâmica imperial como resultado da química formada pela antiga sociedade portuguesa e as conjunturas mundiais. Para isso, é preciso pensar em distintas escalas. Por um lado, numa perspectiva macro, reconstruir as redes comerciais, sociais e políticas que davam vida a esse mesmo império. Por outro, esmiuçar a análise das conjunturas locais, onde o costume organizava as hierarquias sociais e a estrutura econômica. Com tais objetivos, convidamos todos os pesquisadores que desejem participar desse debate.

 

CRONOGRAMA

  • Inscrições e pagamentos: 16/05/2018 a 01/02/2019
  • Divulgação dos trabalhos aceitos: 08/02/2019
  • Envio do texto completo para publicação nos Anais: 22/02/2019

Mais informações no site do II Colóquio Internacional Movimentos.

 

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